MANUEL VICENTE PREPARA SAÍDA DEFINITIVA DO DUBAI
Manuel Domingos Vicente, antigo Vice‑Presidente da República de Angola, está a preparar‑se para deixar definitivamente o Dubai, cidade onde reside desde outubro de 2019. Segundo apurou o Club-K, o ex‑dirigente pretende redistribuir a sua presença internacional, passando a dividir o tempo sobretudo entre Paraguai e Singapura.
A escolha destes dois destinos não é casual. Singapura é a cidade‑estado onde Vicente realiza, há vários anos, as suas consultas médicas especializadas, mantendo ali acompanhamento clínico regular. Já o Paraguai tornou‑se um ponto de referência pessoal e patrimonial: o antigo Vice‑Presidente adquiriu, há alguns anos, uma extensa fazenda com várias cabeças de gado, localizada na região do Chaco, zona conhecida por grandes propriedades rurais e baixa densidade populacional.
Manuel Vicente foi Vice‑Presidente de Angola entre 26 de setembro de 2012 e 26 de setembro de 2017, integrando o último ciclo governativo de José Eduardo dos Santos. Antes disso, destacou‑se como presidente do Conselho de Administração da Sonangol, tornando‑se uma das figuras mais influentes do setor petrolífero angolano e um dos principais articuladores entre o Estado, o MPLA e o universo empresarial ligado ao petróleo.
Após o fim do mandato, Vicente manteve presença institucional como deputado do MPLA, mas o contexto político alterou‑se com a chegada de João Lourenço à Presidência. A nova agenda de governação, centrada no combate à corrupção e na responsabilização de antigos dirigentes, coincidiu com a intensificação de processos judiciais internacionais, sobretudo o caso Fizz, em Portugal, no qual Vicente era acusado de corrupção ativa. Embora o processo tenha sido transferido para Angola, o ambiente político‑judicial tornou‑se sensível e expôs o ex‑Vice‑Presidente a riscos reputacionais e legais.
Foi neste contexto que, em outubro de 2019, Manuel Vicente deixou Angola e instalou‑se no Dubai. A versão oficial apontava para motivos de saúde, mas fontes políticas indicam que a decisão foi também motivada por autoproteção. Dias antes da sua partida, uma reportagem da TPA, emitida em setembro de 2019, abordou investigações internacionais sobre corrupção e exibiu imagens de arquivo de Vicente. Embora não tenha sido citado nominalmente, o enquadramento da peça — associando “altos responsáveis do antigo regime” a potenciais reaberturas de processos — foi interpretado pelo ex‑Vice‑Presidente como um sinal de exposição política e possível perseguição. A reportagem deixou‑o intranquilo e reforçou a perceção de que já não dispunha da proteção institucional que tivera durante o período de José Eduardo dos Santos.
Desde então, Vicente manteve residência permanente no Dubai, afastado da política ativa e com vida discreta. A sua última visita conhecida a Angola ocorreu em março de 2026, num regresso silencioso, sem agenda pública e sem declarações oficiais. A deslocação foi curta e interpretada como tentativa de reaproximação institucional, ainda num quadro de cautela política.
Com a decisão de abandonar o Dubai, Manuel Vicente inicia agora uma nova fase, repartida entre Singapura, onde mantém acompanhamento médico, e o Paraguai, onde possui interesses agropecuários significativos.