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O 12 DE MARÇO DE 2026 E JOÃO LOURENÇO: O FIM DE UMA ERA DE MONOLITISMO NO MPLA – ANTÓNIO VENANCIO

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O dia 12 de março de 2026 marca o fim de uma era caracterizada pelo monolitismo que, durante décadas, dominou os processos congressuais do MPLA.

Nesse dia, o Comité Central do partido, reunido na sua 10.ª Sessão Ordinária, tomou decisões que abrem caminho para o fim de uma prática interna marcada por consensos impostos de cima, candidaturas únicas e limitada democracia orgânica.

Historicamente, os congressos do MPLA foram pautados por um forte centralismo democrático. A escolha do presidente do partido era, na prática, decidida em círculos restritos ou através de um consenso prévio entre as figuras do topo. A “unidade” confundia-se frequentemente com unanimidade, reforçada por uma suposta “disciplina partidária” – termo muitas vezes utilizado de forma oportunista para condicionar concorrências internas e inviabilizar a meritocracia.

Agora, o quadro eleitoral interno mudou de forma radical. O projecto da bicefalia tornou-se desaconselhável para João Lourenço, o actual líder cessante. O mais provável, e até desejável para garantir maior estabilidade, será que o MPLA adopte um modelo em que o candidato vencedor das eleições partidárias internas seja automaticamente o cabeça de lista do MPLA às eleições gerais de 2027.

Os estatutos do partido já previam essa lógica, antes de terem sido alterados de forma apressada. É à luz deste contexto e do silêncio estratégico mantido por João Lourenço até agora que, repetidamente, tenho prognosticado a sua decisão de não se recandidatar à liderança do MPLA – tal como respeitou o limite constitucional que o impede de concorrer a um terceiro mandato presidencial.

A pertinência histórica desta data é inegável: pela primeira vez em mais de 50 anos, os militantes do MPLA poderão escolher, entre vários candidatos, o seu próximo presidente – aquele que, muito provável e merecidamente, deverá ser o candidato do partido à Presidência da República.

O 12 de Março representa, assim, o fim visível de uma prática autoritária inspirada no marxismo-leninismo que perdurou várias décadas. Essa prática entra agora para a história do partido como um capítulo superado em favor de uma democracia interna mais real.

Depois das profundas mudanças operadas no regime político-económico com o fim do monopartidarismo em 1991, o MPLA segue, com coragem, o caminho da modernização também no plano partidário. Ao cultivar valores democráticos genuínos, o partido ganha uma alavanca fundamental adicional para se regenerar, fortalecer e adaptar aos novos tempos.

Caso contrário, arriscaria sofrer, em 2027, mais um revés eleitoral significativo – semelhante à perda progressiva de cerca de 10 pontos percentuais que vem registando eleição após eleição.

No último sábado das CONVERSAS ESSENCIAIS, peremptoriamente afirmei, que o próximo presidente da República não se chamará João Manuel Gonçalves Lourenço e, portanto, pela primeira vez na nossa longa história de 50 anos, o presidente do MPLA em funções não será o candidato à Presidência da República!

Seria desvantajoso e pouco advertido para o Presidente João Lourenço, concorrer um ano antes, à liderança do MPLA. Acredito eu, com a maior fé, que é também este o pensamento dominante dos círculos que o rodeiam.

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