20 ANOS (2006-2026) DE LUTA PACÍFICA, PRESOS POLÍTICOS E O APELO URGENTE AO DIÁLOGO
Ao Povo Angolano, às Autoridades Tradicionais da Lunda, aos Partidos Políticos com assento parlamentar, à Comunidade Internacional e a Sua Excelência o Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço.
Nós, Movimento do Protectorado Português Lunda Tchokwe, no cumprimento de 20 anos de luta pacífica pelo Direito à Autonomia da Lunda, vimos tornar público o seguinte:
1. SOBRE OS 20 ANOS DE NEGAÇÃO DO DIÁLOGO
Há duas décadas que batemos à porta do Governo com cartas, memorandos e pedidos formais de diálogo, com base no Tratado de Protectorado Lunda de 1885-1888. Enquanto nos palcos da ONU o Governo Angolano defende o diálogo como solução para os conflitos do mundo, como reafirmou recentemente V. Excia. Presidente João Lourenço, aqui dentro esse diálogo continua a ser-nos negado.
2. SOBRE OS PRESOS CÍVICOS E POLÍTICOS
Não podemos falar de paz e diálogo enquanto as cadeias continuarem cheias de filhos da Lunda detidos apenas por exercerem o direito à liberdade de expressão, de reunião e de pensamento político. Denunciamos a existência de presos cívico-políticos do nosso Movimento, detidos por defenderem de forma pacífica a causa da Autonomia. Exigimos a sua libertação imediata e incondicional. Não há diálogo verdadeiro com prisioneiros políticos.
3. CARTA ABERTA AO PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO
Excelência Senhor Presidente,
Em nome do sofrimento do nosso povo, endereçamos-lhe esta Carta Aberta. O Senhor tem dito ao mundo que Angola é um Estado de Direito e de Diálogo. Nós pedimos que prove essas palavras na Lunda.
Receba-nos. Ouça as autoridades tradicionais Tchokwe, ouça os nossos mais velhos, ouça a nossa juventude. A Autonomia que pedimos não é separação pela violência, é justiça histórica e administrativa para um povo que sofre com a pobreza apesar da riqueza que sai do seu solo.
A história vai julgá-lo não pelo que disse na ONU, mas pelo que fez em Angola com o seu próprio povo.
4. O APELO MORAL DO SANTO PADRE
Ainda ecoam entre nós as palavras de paz, de perdão, de reconciliação e de atenção aos mais marginalizados deixadas por Sua Santidade o Papa na sua visita pastoral a Angola neste ano de 2026. O Santo Padre apelou a uma Angola que não deixe ninguém para trás. A Lunda não pode continuar a ser deixada para trás. Que o seu apelo à fraternidade humana toque o coração de quem governa.
5. O PAPEL DA OPOSIÇÃO, DOS DEPUTADOS E DAS AUTORIDADES TRADICIONAIS
Agradecemos e encorajamos a coragem dos partidos da oposição, dos deputados que na Assembleia Nacional têm levantado a questão da Lunda, e das nossas autoridades tradicionais, os nossos Sobas e Mwatas, que mesmo sob pressão, não abandonaram o seu povo e mantêm viva a verdade histórica do Protectorado.
Convidamos todos os deputados, de todos os partidos incluindo do MPLA, a visitar a Lunda, a ouvir o povo, e a serem mediadores deste diálogo necessário.
O NOSSO APELO FINAL:
O Movimento reafirma o seu compromisso inquebrável com a via pacífica. Mas 20 anos de silêncio é tempo demais. O diálogo adiado é injustiça prolongada.
Que se abra finalmente a mesa de diálogo.
PAZ, DIÁLOGO E AUTONOMIA JÁ!
Lunda, aos 23 de Setembro de 2026
Comité Político do Movimento do Protectorado Português Lunda Tchokwe