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NO ZAIRE: A VERDADE NÃO SE COMBATE COM NOTAS DE REPÚDIO, MAS COM FACTOS

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Recebi com atenção a nota de repúdio da Administração Municipal do Quindeje.

Contudo, é profundamente lamentável que uma instituição pública, sustentada pelos impostos dos cidadãos e criada para servir o interesse colectivo, tenha decidido transformar o seu Gabinete de Comunicação num instrumento de propaganda política, desviando-se da sua verdadeira missão:

* prestar contas ao povo.

As minhas declarações na Assembleia Nacional não foram proferidas para agradar ou desagradar quem governa. Foram feitas no estrito cumprimento do mandato constitucional que o povo me confiou:

* fiscalizar a acções do Executivo,

* ⁠denunciar os problemas das comunidades e exigir soluções concretas para as dificuldades que afligem os cidadãos.

O estado das vias do Município do Quindeje não é uma invenção do Deputado Pedro Tanda. É uma realidade vivida diariamente pelos:

* agricultores que enfrentam enormes dificuldades para escoar a produção,

* ⁠pelos doentes que aguardam transporte para as unidades sanitárias,

* ⁠pelos estudantes que percorrem quilómetros em condições indignas e,

* ⁠por milhares de famílias que continuam isoladas sempre que as estradas se tornam intransitáveis.

A Administração afirma que as obras decorrem normalmente. Se assim é, essa realidade actual não elimina anos de abandono nem invalida a denúncia feita na Assembleia Nacional pelo Deputado Pedro Tanda. As perguntas essenciais continuam sem resposta:

* Durante quanto tempo as populações permaneceram praticamente abandonadas, sem vias em condições de circulação?

* Quantos prejuízos económicos sofreram os camponeses por falta de acessibilidade?

* Quantas vidas foram colocadas em risco devido às dificuldades de transporte para os hospitais?

* Quantas crianças e jovens tiveram o seu percurso escolar prejudicado?

* Qual é, afinal, o cronograma detalhado para a conclusão definitiva das obras?

Uma Administração verdadeiramente responsável responderia com:

* documentos,

* ⁠datas,

* ⁠relatórios técnicos e

* ⁠indicadores de execução.

Se a Administração considera que a situação das vias está resolvida, então que publique,

* os contratos da empreitada,

* ⁠os montantes investidos,

* ⁠os prazos de execução,

* ⁠os relatórios de fiscalização e

* ⁠os indicadores de progresso.

Em vez disso, optou por responder com ataques políticos dirigidos a um Deputado da República.

Governar não é aparecer com,

* máquinas depois de a população gritar,

* ⁠depois da imprensa denunciar ou

* ⁠depois de um deputado no caso Pedro Tanda, levantar o problema no Parlamento.

Governar ou administrar é,

* planificar,

* ⁠executar e

* ⁠concluir obras com qualidade, dentro dos prazos estabelecidos e com absoluta transparência na gestão dos recursos públicos.

Mais grave ainda é assistir a uma Administração Municipal utilizar uma nota institucional para tentar descredibilizar um representante eleito pelo povo. Trata-se de uma atitude incompatível com os princípios do Estado democrático, onde a fiscalização parlamentar deve ser respeitada e não atacada.

Não compete a uma Administração julgar moralmente um deputado. Compete-lhe governar, prestar contas e resolver problemas.

É igualmente lamentável o recurso a citações bíblicas para insinuar que quem denuncia os problemas mente. A Bíblia deve inspirar a verdade, a humildade e a justiça, nunca ser utilizada como instrumento de combate político ou para desqualificar quem exerce legitimamente o seu dever de fiscalização.

Se a Administração entende que tudo está a ser bem executado, então demonstre-o através da transparência. Publique:

* os contratos das empreitadas,

* ⁠os valores efectivamente desembolsados,

* ⁠as fontes de financiamento,

* ⁠os cronogramas de execução,

* ⁠os relatórios de fiscalização e

* ⁠os níveis reais de cumprimento físico e financeiro das obras.

Quem governa com transparência não teme o escrutínio público. Quem trabalha para o povo não transforma perguntas legítimas em motivo de ofensa.

A verdade é:

* nenhuma nota de repúdio consegue apagar décadas de insuficiências nas infraestruturas,

* ⁠nem as dificuldades que continuam a marcar a vida das populações do Quindeje.

* ⁠Nenhum comunicado altera aquilo que o povo vê,

* ⁠sente e

* ⁠enfrenta todos os dias.

Enquanto Deputado da Assembleia Nacional, eu Pedro Tanda, continuarei a visitar as comunidades, a ouvir os cidadãos e a levar ao Parlamento a voz daqueles que durante demasiado tempo foram ignorados.

O meu compromisso não é proteger a imagem de governantes como querem que faço, mas é defender os direitos, a dignidade e os legítimos interesses das populações do Zaire.

A crítica política não é um ataque à democracia; é uma das suas maiores garantias. Quem exerce o poder deve habituar-se ao escrutínio, porque governar significa responder perante o povo e não exigir aplausos permanentes.

A história ensina que os comunicados desaparecem com o tempo, mas as estradas continuam a revelar a verdade. É nelas que se mede a qualidade da governação, e não nas notas de imprensa.

Ao povo do Quindeje deixo uma garantia:

* continuarei a denunciar tudo aquilo que compromete o vosso desenvolvimento,

* ⁠a exigir transparência na gestão dos recursos públicos e

* ⁠a defender, sem receios, os interesses das populações.

O mandato que recebi não é para o silêncio nem para a complacência. É para,

* fiscalizar,

* ⁠exigir responsabilidades e

* ⁠lutar por um Quindeje e por um Zaire onde as obras sejam concluídas em benefício do povo, e não apenas anunciadas em comunicados.

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